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Drogas – A escolha é sua!

Drogas
 Quando a Dra @patriciapatini mandou como sugestão de pauta o assunto Drogas relutei, pois o Blog na época ainda estava dando os primeiros passos. Como o público que me dirijo, é o jovem adolescente e outros nem tanto assim… acho oportuno agora que este público está mais nítido, escrever sobre este grave problema de saúde pública.

No instante que cai o império do tráfico no Rio de Janeiro ficam algumas perguntas:

  • Será que realmente nossos filhos estão livres das drogas? Ou é somente uma manobra política passageira?
  • As drogas estão presentes dentro do nosso cotidiano, já não é mais uma realidade distante. O que fazer?
drogas
 Um projeto chamado Memória Roda Viva da Fundação Padre Anchieta, Unicamp e a FAPESP (Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo), conta com a transcrição de todas as entrevistas realizadas nos últimos 24 anos do Programa Roda Viva. Lá encontrei a brilhante entrevista (na íntegra) do médico especializado em psiquiatra pela USP Dr Jairo Bouer, que já publicou uma dezena de livros sobre sexualidade, adolescência, álcool, cigarro e drogas. Hoje é referência no assunto saúde e comportamento jovem. Dentre os assuntos discutidos nesta entrevista, ele fala da questão sexo e drogas que vou transcrever alguns tópicos pertinentes ao assunto de hoje:


“Heródoto Barbeiro: O nosso entrevistado hoje aqui no Roda Viva é o médico psiquiatra Jairo Bouer. Jairo, tem uma palavra que os pais ficam arrepiados, preocupados, o que é uma rave? [Jairo ri] Os pais ficam assim, assustadíssimos. “Rave“, imaginam droga, 24, 48 horas de festa etc etc. O que é exatamente uma rave? O que leva um jovem a participar de uma rave?

Jairo Bouer: Rave é uma grande festa, né?
Heródoto Barbeiro: Aliás, é bom você definir para mim, porque eu sou de outra geração. “Há quarenta anos falava-se de sexo de um jeito e agora fala-se de outro”, diz aqui o pessoal da internet.
Jairo Bouer: A rave é uma grande festa, uma festa que dura muitas horas, normalmente, às vezes finais de semana todos. Acontece normalmente em espaços abertos, afastados das grandes cidades, grandes centros urbanos. Há música, normalmente música eletrônica. Os jovens vão dançar, vão acampar, vão conviver, vão namorar. Enfim, é um espaço em que eles vão se divertir e passar um bom tempo.
Heródoto Barbeiro: Com drogas ou sem drogas?
Jairo Bouer: Muitos com, muitos sem. Quer dizer, as chamadas “drogas sintéticas”, as drogas produzidas em laboratório para que se consiga um determinado objetivo, um determinado fim, elas ganham espaço e oportunidade de venda, de consumo, com as grandes festas, mas a rave não tem que estar necessariamente associada à droga sintética e nem todo mundo que vai para a rave usa droga, da mesma forma que tem gente que não vai para rave e usa drogas sintéticas. Mas todo mundo fica muito preocupado.
Heródoto Barbeiro: E quando a filha ou o filho disser para o pai: “Eu estou indo para uma rave.”, o que o pai ou a mãe faz numa situação dessa? Se é que dá para fazer alguma coisa.
Jairo Bouer: Eu acho que dá. Eu acho que esse canal aberto de discussão, de informação, de diálogo que a gente falou em relação à questão da sexualidade, é um canal que também tem que funcionar em relação à questão das substâncias. Hoje a gente sabe que as substâncias, de uma forma geral, têm uma capilaridade muito grande, estão muito próximas ao jovem em qualquer lugar: na rua dele, no condômino dele, na escola, no clube. É tudo muito próximo. Então, de fato, é bem possível que ele seja exposto a algum tipo de substância na adolescência ou no início da sua vida adulta, né? E aí? Ele vai consumir ou não? Ele vai entrar em contato com essa substância ou não? Quem vai definir isso, em última instância, é o jovem autônomo, é o jovem protagonista. Ele que vai tomar a decisão dele. Então, eu acho que, se a gente teve a oportunidade…
Heródoto Barbeiro: [Interrompendo] Mas numa hora dessas a educação influencia? O que influencia a tomada da decisão?
Jairo Bouer: Eu acho que essa questão… exatamente, se a gente conseguiu durante esses anos todos estabelecer um canal de comunicação, um canal de diálogo, e fazer com que essas questões de drogas também estejam permeando a discussão entre pais e filhos, eu acho que a gente tem uma possibilidade maior de o jovem pensar mais antes de consumir ou de usar, ou se, eventualmente, usar, ficar mais atento para a questão do abuso. A experiência pode até acontecer, mas a chance de você caminhar para o abuso ou para a dependência talvez seja um pouco menor.

Maria Helena Vilela: Limite é uma questão extremamente importante, né, Jairo?

Jairo Bouer: Sem dúvida.

Maria Helena Vilela: Porque hoje a gente percebe que existe assim, uma… quase que uma… o limite caiu no esquecimento. É quase uma aberração para um pai você dizer que ele tem que colocar limite nos filhos, como se isso fosse uma coisa ruim para os filhos, né?
Jairo Bouer: E os filhos pedem esse limite o tempo inteiro, né? Às vezes de forma concreta ou não, mas, enfim, esse limite é fundamental. É importante que eu saiba até onde eu possuir, como eu posso ir, de fato: qual é o limite.
Maria Helena Vilela: Esses pais que colocam limites são pais desses filhos que ela colocou nos comportamentos? Ou seja, esses meninos que se comportam de uma forma mais adequada a uma perspectiva melhor de vida são filhos de pais que colocam limites, que mostram as suas expectativas em relação a eles?
Jairo Bouer: Eu acho limite importante. Não o limite estanque, não o limite inegociável. Eu acho que limites podem ser negociados, à medida que você sente que o seu filho ou a sua filha tem maturidade, capacidade de lidar com eles, mas o limite é fundamental de estar presente. O que a gente vê muito é o pai culpado: “Não posso ficar com o meu filho o tempo inteiro, raramente eu estou junto. Então, quando eu estou junto eu deixo ele fazer o que ele quer, dou presente, compro o que ele precisa, o que ele pede.”

Esta semana José Júnior um dos fundadores e coordenador executivo do Grupo Cultural AfroReggae deu uma entrevista no Roda Viva. O grupo AfroReggae é conhecido por afastar crianças e adolecentes do mundo do crime e das drogas de dentro das favelas. Uma coisa é você ter uma visão de fora dos noticiários e jornais, outra é de quem está lá dentro. Veja uma parte da entrevista. Entrevista integral neste da TV Cultura.

O AfroReggae toca em muitos festivais de música no país e no exterior. Para não fugir dos seus princípios, eles não se apresentam em nenhum festival que seja patrocinado por bebida alcoólica. Daí você pergunta: Nunca vi uma apresentação do AfroReggae! Isto ocorre porque mais de 80% dos festivais e shows de música são patrocinados por alguma bebida!
Fonte:

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3 comments

  1. Assunto importante e muito oportuno … parabéns Alexandre =D

  2. Nossos adolescentes não estão preparados, e nem sendo preparados para esta nova realidade. Os pais vivem dentro de uma bolha, e os filhos acabam tirando dúvidas com os "amigos" usuários que introduzem uma fantasia do barato que a droga dá! Porém, as seqüelas afastam os amigos e destróem a família. O final não é feliz como o da novela das oito!

  3. Koga,
    Este assunto é muito importante e foi muito bem abordado por vc.
    Parabéns!
    bj

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